Marvel Vs Capcom 3 – Fate Of Two Worlds
Publisher: Capcom
Desenvolvedora: Capcom
Plataforma: X360 e PS3
Tudo começou no longínquo ano de 1996. X-Men vs Street Fighter era algo completamente sem precedentes para os fãs de uma boa pancadaria digital. Especiais que ocupavam uma tela cheia, combos de um zilhão de hits, combos terrestres, combos aéreos, combos tag team, combos espaciais, combos subaquáticos (:P). Com a chegada deste game, a Capcom reinventou a si mesma e criou um sistema diferenciado nos fighting games, fazendo neguinhos como eu torrarem horrores em fichinhas. Isso também valeu para o lançamento do ano seguinte, Marvel Super Heroes vs Street Fighter (Maldito Cyber Akuma!).
Marvel Vs Capcom pode não ser o melhor game deste período áureo, mas com certeza foi o mais emblemático. Mantendo a jogabilidade já aprovada nos títulos anteriores, e expandindo seu escopo para todo o universo Capcom e Marvel, fomos brindados com possibilidades únicas, como dar uma surra no Hulk com o Mega Man (FUCK YEAH) ou botar Strider Hiryu frente a frente com o Wolverine. E é com esse espírito que a série Marvel vs Capcom chega ao seu terceiro capítulo, revisado e AMPLIFICADO para a poderosa nova geração de consoles (leia-se X360 e PS3). Com certeza um dos lançamentos mais esperados deste início do ano, o game chegou fazendo barulho.
E devo dizer, barulho é o que o MvC3 faz de melhor. Desde a sua bombástica cutscene de abertura, o game não esconde sua gana de ser épico, com músicas eletrizantes, narração teojosediana nos menus e nas lutas e cenários ultra detalhados e coloridos, cortesia do poderoso engine gráfico MT Framework 2.0, criado para Lost Planet 2 (para algum coisa aquele game teve que servir, não é, GELERE?). No quesito da apresentação do jogo, a Capcom fez tudo como manda o figurino, conquistando o jogador à primeira vista. Cenários como o de Asgard (Thor e pá) ou Kattlelox Island (Mega Man) são lindos por demais, e o simples, porém muito bem sacado stage do Super Ghost N’Goblins, quase me levou às lágrimas de tão fiel e bonito. Mesmo assim, não são intrusivos e complementam com brilho a jogabilidade do título.

Ainda não conseguiu fazer de Metro City um lugar seguro, hein prefeito Mike Haggar?
Pois bem, agora é A QUESTÂ da jogabilidade: embora ela mantenha o esquema de três contra três de MvC2, com gráficos tridimensionais em estilo 2D a la Street Fighter IV, ela está diferente.A palavra de ordem é simplificação, com quatro botões básicos: ataques fraco, médio e forte, e um botão dedicado aos ataques especiais e air combos (para iniciá-los, fazer trocas de personagens em meio ao um air combo e para finalizá-los). Ainda há um modo simplificado (chamado de SIMPLE MODE! Criativo, hein?), tornando o jogo uma babinha marota para os iniciantes. Outros botões auxiliares fazem as funções das trocas de personagens e comandos simplificados para os super combos, caso o jogador prefira. São três super combos para cada lutador, cada um mais bombástico que o outro, com ângulos de câmera modificados em alguns. O hyper combo finish novo do Iron Man já nasce lendário.
Foi uma decisão acertada da Capcom, que favorece aos gamers mais hardcore, mas também é convidativa aos marinheiros de primeira viagem, com comandos intuitivos e timing perfeito. A sensação de mandar um air combo insano com poucos rounds de prática é bastante gratificante: aprender é fácil, mas pegar a manha de mestre, nem tanto. No multiplayer, o bicho pega de geral, pena que ainda não foram resolvidos os sérios problemas de conexão dos servidores, o que ainda faz dos embates online um empecilho. Nada temam, pois um patch deve estar a caminho.

Dante e Deadpool: Novatos na série, e chutando traseiros com QUALIDADE.
O elenco de lutadores desta edição não é o maior – 36 em contraste aos 56 de Mvc2 – mas com certeza é o mais elaborado. Todos os lutadores tem um evidente capricho em sua concepção, desde o visual até o seu moveset. Muitos rostos novos estão em MvC3, entre eles Wesker e Chris (Resident Evil), Amaterasu (Okami), Dante (Devil May Cry), Dormammu, Super Skrull , Jean Grey e She-Hulk. Personagens como Deadpool e Zero, até então inéditos na série, desde a largada parecem que nasceram para estar nesse tipo de game, de tão divertido que é controlá-los. Outros como M.O.D.O.K e Arthur são um porre de controlar e exigem do jogador um senso de estratégia apurado, o que também é válido, pois sempre se pode avacalhar da cara do outro, caso se toque o terror pra cima do oponente usando um lutador inferior. No entanto, como sempre foi nesta série, o segredo da vitória é o equilíbrio. E para enfrentar Galactus, o poderoso chefe final, caso esteja nos níveis mais cascudos de dificuldade, você vai precisar. E ah, segundo a Capcom, novos personagens (Jill Valentine e Shuma-Gorath já foram confirmados) estarão disponíveis via DLC muito em breve (ai meu bolso).
Até agora só falei bem, né. Pois bem, agora segura que vem a bomba. Assim como um bom game arcade, em um primeiro momento, Marvel Vs Capcom 3 é uma maravilha de jogar. Experimentar cada um dos lutadores e botar para quebrar com eles é fodástico, mas para quem procura um single player mais aprofundado pode ser meio decepcionante. Os storylines são rasos além do raso, com desenhos estáticos para cada lutador ao final do game. No máximo vai encontrar alguns desafios no mission mode (realizar combos complicados conforme manda o computador) e um sistema de acúmulo de pontos para liberar artwork e outros unlockables bem pouco marcantes. Ainda assim, tudo isso é justificável, pois se trata de um game de luta arcade, exagerado e frenético, que foi exatamente o que a Capcom nos entregou. Daquilo que nós sonhamos e desejamos para MvC3, nem tudo veio como o planejado, mas dentro do que a Capcom sempre ofereceu com a série, posso dizer orgulhoso que o objetivo foi cumprido com sobras.
Avaliação:

Não entendeu? Ilumine-se.
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